25.3.08

Hasta luego!

Vou dar um tempo de blogui. To cansada de blogui. As pessoas pensam que eu sou eu aqui e aqui eu sou algo não alguém. Escrevo sem nexo, não descrevo com nexo. Não é um diário. São palavras. Podem ser relacionadas a muita coisa que vejo, que escuto, e até por vezes que sinto. Vou viver um pouco de realidade. Yeah! Roqui! Minha filha me chama, o mundo me quer e a vida clama: Juana, juana! Até mais blogui! Até semana que vem, eu não aguento ficar muito tempo longe das coisas nas quais me apego! Coisas.

Dentro do Tom

Sabe qual é meu vício hoje?

Eu me vicio. Atinjo o êxtase e me deprimo. Choro pelos cantos. Pelos excessos. Tudo vêm em mim numa dose extra. Mas com limite de durabilidade. E se agora lhe pareço feliz, amanhã não o serei. Ou serei. Ou vice-versa. Não se sabe. Busco drogas ilícitas, lícitas, novelas, chicletes, raivas, amores, conhecimento, esporte, diversão, música, sexo, arte, solidão. E acabado no vácuo com a idéia mais abstrata e retrógrada da humanidade: eu nada sei. (Melancolia?!) Não encontro meu maldito caminho, nem em ruelas, nem em estradas de diamantes. Nunca mais, penso. Nunca mais. "Ter nascido me estragou a saúde".
Finjimos viver, Finjo viver, Fujo viver. Personagens cotidianos. Assombrações.
Cheiro minhas lágrimas nada alucinógenas. Como a cocaína elas trazem uma dose de esperança. Ilusão. Me delicio com minhas lágrimas. Auto confiança. Consumismo. Fuck. O amor é um sentimento suicída.
"O que eu sinto não ajo. O que eu ajo não penso. O que eu penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e hajo como se entendesse." Agora me explica, o que eu tenho de tão diferente de você?
Eu queria um montão de coisas. Não as quero mais.

19.3.08

Been thinking of you

Sonhos asfixiados. Por oras e horas escolhemos o silêncio.

O que realmente me motivou a ir foram 3 grilos verdes. Superstições. A experiência sempre serve apenas para invalidar o dogma. Os pólos não se atraem, se repelem. E as coisas não são, acontecem.
Eu já o desejava muito antes. Nem mesmo o conhecia. Nem lembranças físicas. Uma indução. Isso. E ele estava lá no meio de tantas outras pessoas. Conversava. Sorria. Comandava. Eram todos seus amigos. Aprisionados com imagens e lembranças do passado.

O desejo efêmero fascina a menina-mulher. Minuto. Segredo. Seus movimentos oscilam.

Esbarravam-se. Quase diferentes. Possuem um fio de ligação que por instantes se rompe e volta a se ligar rapidinho. Ciclos humanos.

Até aí a ocasião não os havia favorecido juntos. Talvez individualmente. O fogo já não era mais certeiro.
Mas as histórias com final (sejam eles felizes ou tristes) não são as melhores. Nunca serão.

E aí num salto no escuro subimos à tona. E assim se segue.

Ah, o mar é imenso mesmo. A conquista sempre me fascinou.

Por ser um risco. A consciência precisa de nossos limites gera um conflito na carne humana. Tesão.

Há na paixão alguma coisa da solidão. Você sabe disso meu querido.

Quando o mundo é mais do que podemos imaginar ele sempre acaba parecendo superior a nós. Eis a maravilha da vida. Ou não.

Tremo trêmula. E tu tremes tremido.

Não quero deixar todas essas palavras soltas e sem conexão íntima. Vou tentar seguir o texto de forma mais coesa e com os pés na pontinha para não invadir sua obscuridade. Eu ergo a cabeça e observo a lua. Suas noites. Meus sonhos. No desejo do riso e do choro nos entrelaçamos no mesmo gozo-prazer. Para depois desencontrarmo-nos. Nossas casas são vazias. Quase nunca habitáveis. Por humanos. Apenas por personagens. Vou tentar ser mais imparcial para não avançar por oceanos que podem se transformar em trevas. Eu sou, sem ter consciência disso, uma armadilha. Aí encontro seus lábios e estou preste a beijá-los. Periclitante. Segredo. “Uma tensão na corda de violino” se estende até o dia seguinte. Numa irrealidade de desejos que tampouco desconhecemos. O tempo é indefinível. E no final nunca temos forças. Apenas seguimos adiante. Como se inventássemos um ao outro. Simplesmente nus. E juntos nos calamos, quando devemos nos calar. E nascemos novamente para nós. Coisa que não perturba. Uma linguagem muda.

Harmonia. Pressinto o instante. Acompanho o ritmo do tempo. E escuto tudo mais uma vez. Para ver se atinjo as mesmas sensações.

Você me torna varios segundos feliz.

17.3.08

Alcoólicas

Hilda Hilst


É crua a vida. Alça de tripa e metal.

Nela despenco: pedra mórula ferida.

É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.

Como-a no livor da língua

Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me

No estreito-pouco

Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida

Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.

E perambulamos de coturno pela rua

Rubras, góticas, altas de corpo e copos.

A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.

E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima

Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.

(Alcoólicas - I)



* * *



Também são cruas e duras as palavras e as caras

Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida

Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos

Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes

Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos

Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas

De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo

Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas

Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento

Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte

É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.

Sussurras: ah, a vida é líquida.

(Alcoólicas - II)



* * *



E bebendo, Vida, recusamos o sólido

O nodoso, a friez-armadilha

De algum rosto sóbrio, certa voz

Que se amplia, certo olhar que condena

O nosso olhar gasoso: então, bebendo?

E respondemos lassas lérias letícias

O lusco das lagartixas, o lustrino

Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos

E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.

Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me

Na noite navegada, e rio, rio, e remendo

Meu casaco rosso tecido de açucena.

Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.

(Alcoólicas - IV)



* * *



Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito

Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado

Salpicado de negro, de doçuras e iras.

Te amo, Líquida, descendo escorrida

Pela víscera, e assim esquecendo

Fomes

País

O riso solto

A dentadura etérea

Bola

Miséria.

Bebendo, Vida, invento casa, comida

E um Mais que se agiganta, um Mais

Conquistando um fulcro potente na garganta

Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.

Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos

Quando não sou líquida.

(Alcoólicas - V)

14.3.08

10.3.08

ECOS

Como tu já sabes, amanhã não sei. Tive dias pesados. Agora, mais tranqüila espero. A essência. A essência das coisas nem sempre é o que pensamos. É o que agimos. Como deveríamos agir. Não quero que você leia meus textos como se fosse um leitor. Tome a liberdade de saber que é inspiração. A inspiração é misteriosa. Oscila. Cochila. Engana. De olhos fechados vejo o beijo, a boca carnuda. Êxtase. E quando abro, os olhos, se acaba na verdade. Maniqueísta. As coisas são estranhas e divertidas. A vida, bizarra. (risadas) Hoje apanhei uma surpresa, 2. Pessoas machucam, pessoas curam. Pude me sentir muito melhor com a tua presença. Ouvi dizer uma coisa sobre ecos. Desconexo. O que a gente espera realmente não alcança. Preciso arar a terra. Incomoda-me muito uma coisa sua. Você desconhece-se. Pode ser engano meu. Eu também sofro com a duvida. Meu teu nosso auto reflexo. Fiquei confusa só de pensar. Porque pensamos? Será isso. Vou subir no barco again again again. Sem expectativas de nada. Acreditando somente no que sinto. Nos sentimentos. Sinto muito, sinto saudades. Mas tenho que me livrar da ancora. Agora sim posso seguir meu rumo, se possível. As lembranças lindas, ficarão. Minha flor está se recuperando. Preciso cuidar dela. Mas antes e por fim, não estendas o braço. Fique onde está. Um dia, irei te encontrar. O tempo não corrige, o tempo passa, faz um vento danado e apaga. (choro de triste) Você sabe de tudo meu anjo. Eu sei de tudo. É cinta-liga babe. Aperta, mas dá prazer. Ainda lembro de seus versos. Espero tê-los comigo. Beijos. Beijos ofegantes.

“A luz no fim do túnel é um trem vindo na minha direção...”

Às vezes passamos dia e semanas inteiras sem que aconteça nada não habitual. São períodos vazios de histórias e emoções. E a vida se resume a dia após dia. A pessoa meio que enferrujada observa o seu redor. Rouba as emoções. Lê. Escreve. Murcha.
Pode ser bom. Quem sabe.
Longas cenas não me atraem. Talvez pela minha ansiedade. É como quando a vida perece se tornar um filme chato, exaustivo e sem trilha sonora.
Eu explodo constantemente, isso é real. Venho com tudo que é sentimentalismo e atitude num pacote compactado pronto para ser consumido. Exageradamente. Posso estar chorando e rindo em questões de minutos. Se hoje te amo isso nunca vai significar enternidade. Não por mal. Pois gostaria que assim fosse. Por razões da natureza mesmo.
Aí eu me surpreendo com o fato de não te esquecer. Uma vez que... deixa pra lá.
Atravesso um momento complicado. Fruto de tropeços passados. E deixo a mostra minhas feridas e fraquezas, carências e virtudes. O vício me condena. Não tenho escapatória.
Tesão, sono, medo, raiva, graça, memória. O dia seguinte sempre aguarda. Uma nova surpresa.

1.3.08

No país das últimas coisas

" Algo desaparece e, se você passar muito tempo sem pensar nele, nada haverá de trazê-lo de volta. Recordar não é um ato de vontade, afinal. É algo que ocorre a despeito de nós, e, quando há muita coisa mudando ao mesmo tempo, o cérebro vacila e os objetos lhe escapam. Às vezes, quando me vejo tateando em busca de um pensamento que fugiu, começo a evocar os velhos tempos, a me lembrar de quando eu era menina e toda família viajava de trem para o norte, nas férias de verão.

William, meu irmão mais velho, sempre deixava para mim o assento da janela e, a maior parte do tempo, eu não falava com ninguém, viajava com o rosto comprimido na vidraça, contemplando a paisagem, estudando o céu, as árvores e a água, enquanto o trem percorria os campos.

Achava tudo tão bonito, tão mais bonito que as coisas da cidade, e, todos os anos, dizia a mim mesma: "Anna, você nunca viu nada mais lindo. Tente se lembrar disso, tente memorizar as belas coisas que está vendo, para que fiquem para sempre com você, mesmo quando já não as possa ver".

Não creio que tenha olhado para o mundo com mais interesse que naquelas viagens ao norte. Queria que tudo me pertencesse, que tudo se tornasse parte do meu ser, e recordo que tentava guardar aquela beleza na memória, armazená-la para depois, quando me fosse realmente necessária.

O diabo é que não consegui. Tentava tanto, mas, de um modo ou de outro, sempre acabava me esquecendo e, por fim, só conseguia me lembrar do quanto tentara me lembrar. As coisas passavam muito depressa e, mal as via, já se haviam escapado, substituídas por outras que também desapareciam antes mesmo que chegasse a vê-las."


(Paul Auster, No País das Últimas Coisas, pp. 77-78. Tradução de Luiz Araújo.)