“Vixi Maria como eu precisava ouvir isso”. Ela sentiu os dedos do pianista em cada nota que soava em seu ouvido. Bela música. Mais uma vez bela. Você sabe usar as palavras assim como as notas e compor essa melodia. Que de hora em hora cruza minha vida e me deixa feliz. Cadáveres putrefatos. Possivelmente, isto é, muito provavelmente. Dançamos a vida. E em vastos momentos nos damos às mãos. Nem os duplos calmantes que escondem as mentiras nos tornam menos sensíveis à luz do dia. Somos o que somos o que queríamos e o que deveríamos ser. Sensiveis. Sinceros e belos. Por isso lastimamos tanto. Quanto ao futuro? Não me preocupa. Preocupa-me esse passado mal passado. Sangra a carne vermelha de sangue. Acho que gosto das coisas assim. Só vou evitar a carne excessiva. Dar mordidas menores. Agora me lembro do mordida: “você deixou saudades, por aqui”. “Uma flor em pedaços, no jardim”.
Eu não tenho mais lágrimas, mas ainda tenho a presença. Gosto disso, acho. Tem que ser homem mesmo. Embora sejam raras as ocasiões que consegui. A presença é a autenticidade. Coisa rara meu querido amigo. Nós a temos e temos de sobra. Alguién quiere? OÔôôôÔ. É facil ter. Difícil é ter.
Estamos aqui pro que der e vier. O carinho nunca será ausente. Nem presente. Nem lembrança. É real e não é coletivo. Eita. Sempre assim. É sempre igual. Tudo não passa de passado. Tudo só fica se for lembrança. Felicidade é utopia. No no no alegria.
Uma piscadinha pra tu.
Esta é uma nota de agradecimento.
17.9.08
8.9.08
Só isso
Eu temo o fim. O fim é como a morte. Sempre inexplicavel. E o meu reflexo volta a ser meu eu refletido. Já não darei um falso futuro a cada vislumbre de instantes. Partirei para o meu interior numa excursão de eus que andam vagando sem direção. Juntei-os todos e vamos passear nessa alma mórbida que compõe o meu ser. Eu não me sinto triste. A tristeza já passou. Não me sinto alegre. Me sinto aliviada. Não mereço ter. Mereço ser e devo fazer isso mais bem feito. No never posses. É que confundo as coisas e quando vejo, eu erro, mas erro com intençao de acertar. Me culparia se não fosse assim. Ora não me culpo por tentar. Eu temo o fim, mas ele chega finalmente e para de ensaiar. Agora tem platéia. Platéia que aplaudirá muito. Isso é gratificante para um ator. Um ator na arte de atuar na vida. E os ultimos passos se fazem dança. Se não emocionou, talvez é porque não tenha valido nada. Eu me despeço com lágrimas e guardo comigo a verdade, na qual quase ninguem pode acreditar. Porque só são mentirosos para a vida aqueles que carregam nela a verdade. Eu queria iniciar e quebrar o enigma das coisas. Mas a força não estava na mão, estava apenas nos dedos. Leve-os contigo. Eu agora sou só e assim quero ser. Afastem-se todos. Não há mais valor.
3.9.08
PEDIDO DE ETERNIDADE
A sorte grande da vida sai somente aos que a compram por acaso. Não há destino, há merecimentos. Não sei quantos terão contemplado, merecidamente, o amor verdadeiro. Incondicional. Eu não acreditava nisso. Uma zebra é impossível para quem não conheça mais que um burro. Há dias que sobe em mim uma vontade imensa de viver, de cultivar e de planejar. Só não me é insuportável porque de fato estou apreciando suportar. É um estrangulamento do passado e do futuro. Uma breve noticia de que tudo começou. Por degraus de sonhos e cansaços meus você me traz a sua irrealidade, desce e substitui o meu mundo. Eu não sonho possuir teu corpo. Isso seria banal demais. Sonho os momentos. Como se nosso amor fosse uma oração. Meus tédios serão padre-nossos e minhas angustias ave-marias. Entre nós existem sombras cujos passos soam frios. É a humanidade. Como vitrais um em frente ao outro. Homem e mulher. Vitrais eternos. Podemos ser pintados por qualquer artista que dorme sob um tumulo godo onde dois anjos de mãos postas gelam em marmore a ideia de morte. O que sonhamos é verdadeiramente o que somos. Por isso nunca me sinto tão proxima da verdade. Apenas num livro, circo, teatro, filme e ao seu lado meu menino. A mais vil de todas as necessidades: a da confidência, a da confissão. A necessidade da alma ser exterior. É por isso que você se tornou o pai e o marido. É por isso tudo que hoje dividimos nossa vida e ganhamos outra vida e outras que ainda virão. Eu encontrei a pessoa com que eu quero dividir. Eu amo você.
25.8.08
A flor do dia
As pegadas pareciam lentas demais para quem tem pressa de sentir as coisas. Afinal ela era uma flor, mas não fazia parte das espécies raras. Não possuía quase fragrância alguma. Vinha em uma única cor. Mas era uma flor e nisso acreditava. Sentia o orvalho das manhãs. Encolhia-se perante o poderoso sol. E sorria a brisa noturna. Era sua preferida. Porque ela vinha mansa.
Às vezes, porém, temia a alegria. De tão normal que era. Era e não sabia. Suas narinas aspiravam, nunca o pólen alheio. Também era única nas suas milhares semelhantes. Pois sofria calada a dor de estar viva durante o dia.
Foi um dia desses. Um cavalheiro se aproximou. Dom Quixote urbano. Parece praxe. Deu uma fungadinha tão bem dada que sentiu o perfume que nunca existira. Suspiros. Ela não queria. O dia.
Isso era a flor. Tem gente diferente. Que prefere ser igual. Ser loucura do que se sente.
Uma imagem de santo que permanece indiferente a tudo e a todos que ali imploram. Um café mais puro para madame. Um tostão para o falido. Uma prece por que prece se pede quem é religioso. Glórias. Améns e bênçãos. A benção pra todo mundo. Aí vem a donzela. Queria eu ser donzela. E pede uma flor. Ai ai ai ai. Vem bem pra ela a flor sem cor que prefere a noite. Estraga tudo. Ou será que o santo acertou na reza e cumpriu seu dever? Deveras.
Todos choramos a vida.
Às vezes, porém, temia a alegria. De tão normal que era. Era e não sabia. Suas narinas aspiravam, nunca o pólen alheio. Também era única nas suas milhares semelhantes. Pois sofria calada a dor de estar viva durante o dia.
Foi um dia desses. Um cavalheiro se aproximou. Dom Quixote urbano. Parece praxe. Deu uma fungadinha tão bem dada que sentiu o perfume que nunca existira. Suspiros. Ela não queria. O dia.
Isso era a flor. Tem gente diferente. Que prefere ser igual. Ser loucura do que se sente.
Uma imagem de santo que permanece indiferente a tudo e a todos que ali imploram. Um café mais puro para madame. Um tostão para o falido. Uma prece por que prece se pede quem é religioso. Glórias. Améns e bênçãos. A benção pra todo mundo. Aí vem a donzela. Queria eu ser donzela. E pede uma flor. Ai ai ai ai. Vem bem pra ela a flor sem cor que prefere a noite. Estraga tudo. Ou será que o santo acertou na reza e cumpriu seu dever? Deveras.
Todos choramos a vida.
18.8.08
História histérica
Eu tomava aquela gelatina aguada. Quase em gosto. Nem todas as festas são agradáveis. Têm as infantis. Essa não provocava risos. DesGOSTO. Na mesa as recordações vinham em preto e branco. Nostalgia do passado-futuro. Cor-de-rosa é o pior. Odeio. Acho graça. Coisa de louco mesmo.Tenho pensado muito na impetulância das pessoas. Já havia percebido que o escorregador era estreito e a balança baixa demais. Só que sempre insisto. E de tanto que insisto, Desisto. Descubro a vida cena por cena. Já vivi muito mais que deveria. Isso me enobrece e empobrece. Lentamente percebo. A evolução. Dos fatos à ilusão. Se rimou não foi porque quis. Não admiro as rimas. Fôrmas. Técnica. Prefiro que o baralho esteja embaralhado. Revelaão invisível. Surpresa! Você venceu. Matou 5. Feriu 30. Salvou 3. Eram da sua familia. Familia em primeiro lugar. São seus verdadeiros... E lá vem o fim do sermão. Vamos todos embora. Cabisbaixo. Ufa. As vezes sufoca. Não tenho paciência mesmo. Pego na sua mão e sigo assim mesmo. Feliz para sempre no catelo da dor. Se dói é porque se sente. Isso deve ter algum valor. Então, Adeus.
5.8.08
Tecido Penumbroso
Como posso sofrer porque as coisas pararam? Elas andaram tão estouvadas! Por que não deixá-las dormir agora um pouco? Tudo se aquietou, é noite, o mundo vive pra dentro, cegando-se ao sol do sonho. Preciso um pouco desse conteúdo inóspito, ermo como um quase-nada. Não, não é morte, é uma espécie de lacuna essencial, sem a aparência eterna do mármore, ou, por outro lado, sem as inscrições carcomidas. Pode-se respirar também na contra-vida. Depois então a gente volta para o ritmo; aí já não nos reconheceremos ao espelho explícito, tamanha a qualidade desse tecido penumbroso que provamos.
João Gilberto Noll,
inspiradíssimo em Mínimos, múltiplos, comuns.
João Gilberto Noll,
inspiradíssimo em Mínimos, múltiplos, comuns.
27.7.08
FAEL
O tempo anda mais curto, me parece. Eu peguei um trem. Estava escrito: destino incerto. Subi nele, pra variar. Foi quando cheguei à conclusão que de tão irracional, tão irracional, tudo se tornara racional demais e... E eu tropecei e estava prestes a cair no abismo quando uma mão me segurou e disse: não há necessidade de se jogar, não comigo. "Eu tenho asas". Se penso choro. Lágrimas de sorvete. Carvão gelado esse. Bem nesse instante vejo as provas a serem corrigidas. Você não é o culpado disso. A contemplação dos momentos e lembranças não me permite. As vezes quero fugir. Porque tudo isso é demais para mim. Não capto. Não temo, mas sofro. Calada. Acho que não sei ser feliz. Melancolia bucólica. Ele me decifra. Me conhece tanto em tão pouco. É o simples. Simplicidade exagerada. E quando amanhece o dia tudo se torna ambiguamente claro. Eu adoro. Adoro. Sei lá. Foi assim. Assim será. Não espero nada. Nem remarei. Meus braços são fracos. A correnteza nos guiará. O vento. As chuvas todas. Quanto granizo. E tudo vira ouro. E juntos somos riquíssimos. Milionários.
DISTRIBUIMOS MONEY: SOMEONE QUER?
O unico dinheiro limpo do mundo. pena que anda RARO. Raridades. Sebos. Antiquarios. Antiquados. Apaixonados.
JUST THAT.
Socorro!
Sou romantica...
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O unico dinheiro limpo do mundo. pena que anda RARO. Raridades. Sebos. Antiquarios. Antiquados. Apaixonados.
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Socorro!
Sou romantica...
16.7.08
Uma piscadinha de canto
Um cano furado. Escapamento. Cheiro horrível que se espalha no ambiente, sufoca. Foi assim que aqueles olhos tentaram se distanciar. Não que não queriam ver. Absolutamente. Não queriam sentir. Aí as pupilas dilatam, a pálpebra amolece e os olhos quase quase se fecham. Sentem tanto sono. Normal. A vida anda cansativa para todos, inclusive para os olhos. Se pudessem talvez enxergar as coisas na sua forma real. Mas ficam vendo tudo invertido. E acabam sentindo tudo invertido. E confundem constantemente a realidade. O óbvio. Ócio.
Hoje eles resolveram se maquiar. Com a maquiagem pareceram mais bonitos, alegres. Um rosa suave se enfumaçava com o vermelho sangue e o lápis preto. Lindo! Sensual.
Olhos grandes, olhos pequenos. Olhos interrogativos. Fontes de expressão. O canal das lágrimas.
Aqueles olhos saíram para o mundo. Escolhiam bem o que enxergar. Brilhavam de vez em quando. E nunca deixaram de te imaginar.
Hoje eles resolveram se maquiar. Com a maquiagem pareceram mais bonitos, alegres. Um rosa suave se enfumaçava com o vermelho sangue e o lápis preto. Lindo! Sensual.
Olhos grandes, olhos pequenos. Olhos interrogativos. Fontes de expressão. O canal das lágrimas.
Aqueles olhos saíram para o mundo. Escolhiam bem o que enxergar. Brilhavam de vez em quando. E nunca deixaram de te imaginar.
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